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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Uma questão de vida e de morte

Sinto-te tanto a falta, hoje.
Não de sentimento ou prazer. Apenas de ti.
Porque hoje não me sinto eu. Seja lá o que eu seja. 
Porque hoje quase beijei a Morte. Deixei-a acariciar-me o rosto apenas por momentos e, por muito pouco, quase arrisquei deixar-me envolver por Ela.

E nesse momento de delírio senti que me poderias salvar novamente. Como tantas outras vezes em que nem te deste conta.
Porque não to confessei, porque não quis desviar-te da rota.
Porque não me acho nesse direito de te chamar apenas porque te sinto a ausência profunda nos ossos.

Hoje deixei-me caminhar sem trajecto definido. Que fossem estes meus pés calçados a decidir para onde me queriam levar. Quase me senti tentado a pedir-lhes que me levassem a ti. Mas contive esse desejo, a necessidade.
Porque não me pertences, nem um dia poderás pertencer. Porque não tenho direitos sobre ti nem sobre a tua vontade.

Precisei de salvação, hoje. E só tu me poderias salvar.
Sonhei que te chamava sofregamente, enquanto era tentado por Ela, mas da minha boca não saíram palavras com o teu nome. E até mim não tive coragem de te chamar.
Porque estás longe daqui, e estas ruas não são as tuas e sei que sentir-te-ias perdida. Porque estes dias de caos e destruição não são o que és.

Sinto-te a falta todos os dias, em todos os momentos.
E esta minha carência de ti, apenas de ti, que não pode ser saciada, continua a enfraquecer-me. Quase ganho coragem. Mas o quase nunca é suficiente.
Da mesma forma que eu nunca serei suficiente.
Porque tu és Vida e eu apenas Morte...

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