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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Não quero pestanejar

Estou aqui. 
A olhar-te dançar em rodopio, pela vida fora, com a infinidade a segurar-te na mão.
Aqui estou a deliciar-me com o teu riso que se mistura com o barulho de fundo de uma cidade cheia de outras vozes que não as nossas. Sem que me reconheças a presença. A saberes que todos te querem, mas apenas um te sabe desejar. 

Estou aqui, ainda. 
A perder-me em vergonhas de me aproximar. 
A deixar-te viver como eu gostaria de saber viver, também. 
A admirar-te de longe. Sem pestanejar, com medo de perder alguma pitada da tua luz. Com receio de perder um momento, O momento. Aquele instante que pode tornar-me um homem melhor. E eu não quero perder esse momento, esse instante de perfeição que apenas o teu olhar me saberá dar.
 
Estou aqui, ainda aqui, a pedir-te silenciosamente que me leves contigo a viajar pelos dias preenchidos, os mesmos que deixas para herança dos outros mortais que te glorificam. Os mesmos que te invejam e não percebem. Os mesmos para os quais sorris, desarmando-os de qualquer tentativa de descarrilamento ao teu rodopio.
 
Levas-me contigo?
Se quiseres, lembra-te de mim e de onde estou. Que estou aqui.
 
Por mim, estou aqui. Aqui ao longe. A olhar-te em rodopio, deliciando-me, a perder-me de vergonhas. Fico-me por aqui, então, em silencioso suplício, para que me leves a voar contigo. 
Para que não perca o momento.
 
Aquele momento em que seja, por fim, aquilo que tu já és sem esforço. Perfeita.

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