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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Mãos

São as tuas mãos.

São as tuas mãos que me acariciam, não a pele, mas a minha alma despida. Porque, connosco, a distância é a soberana e esta saudade a capa que me envolve o amor. E as tuas mãos que me tocam e despertam são a lembrança que existes, meu amor. Não te conheces a amar-me, porque nunca te apresentei a essa esperança. Que é vã. Que é oca.

Mas é minha para te sussurrar no silêncio da noite quando descansas de viver.

São elas que me protegem dos medos que sobrevivem, incólumes, nos meus sonhos assustados, quando me seguras e trazes de regresso ao plano dos vivos. A este plano que existe para nos atormentar.

São as tuas mãos, que nunca abracei nas minhas, que me acalmam da vida que se mexe em paralelo com a tua.
Vibrante e singular como tu.

São elas, que unidas com os teus braços, anseio por sentir no meu corpo daquela forma que só os amantes sabem sentir. Como os amantes que, suspeito, nunca seremos a não ser nas minhas noites solitárias em que te chamo.

São perfeitamente inesquecíveis as tuas mãos. Ou então sou eu que só sei fantasiar com impossíveis que não te assistem.
Indiferente a tais infortúnios deixo-me permanecer na tua lembrança esquecida dos dias que são pedaços de luz na minha escuridão escondida.

A pensar num toque que não conheço.
A sofrer por um abraço que não chega.
A chamar um nome que não se ouve.
A pedir um amor que não se sustenta senão nos loucos devaneios deste que te deseja...

São as tuas mãos, meu amor, que são a senha para descodificares a minha tormenta. Aquela que se chama Tu. As tuas mãos, meu amor.
Que não se abraçam nas minhas, que não se amam como eu te amo a ti, meu amor. Nunca as tuas mãos.

Nunca, meu amor.

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