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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Corpo e Alma

Adoro passear por entre os cantos que te fazem ser o que és.
Coração e sangue de uma cidade que te acolhe, e que sem ti não respira. 
Porque és alma daqui, e já o debatemos sem reservas vez após vez.
Simplesmente porque tu és daqueles assuntos que nunca cansa nem enfada. És daquele tipo de gente que se entranha nas entranhas da gente e não mais nos abandona...

E hoje...
Bem, hoje eu decidi que iria ter sede de ti.
Tomei a liberdade de te querer, egoísta e fervorosamente como se fosses a única salvação possível desta civilização que de civilizado já nada tem.

Decidi, hoje, que te ia ter saudades.
Que não ia conseguir que o dia passasse sem te querer ouvir rir. Sem que fosse a tua imagem a última coisa que visse antes de me deixar adormecer numa cama orfã de ti.

Decidi que hoje te daria as minhas horas e desassossego, para que com eles fizesses o que te aprouvesse.
Que neste dia, escolhido ao acaso, a minha respiração ganhasse um propósito com o teu nome. Porque sempre foste o mais abençoado dos acasos. Porque se tivesse pedido a Alguém que chegasses, não haveria o mesmo encanto ou assombro.

Sou intruso aqui.
Ladrão do teu oxigénio que encontra recobro à beira de uma margem de água que não sabe estar quieta.
Sou um ser ausente de todo um mundo que não quero saber que existe, porque no resto do mundo não existes, senão aqui.
Hoje decidi que te ia sentir a falta. Só mais uma vez. Prometo que não será a última. Hoje escolhi deixar de viver sem o auxílio de te imaginar. 

Se deixares, hoje respiro-te. Só mais esta vez. E prometo que não será a última.

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