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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Caos e fraquezas

Sentei-me no cais, mirando o rio que se movimentava abruptamente.
Soprava um vento constrangedor que empurrava as gentes para longe daquele lugar. Apesar dos elementos, o sol conseguia mostrar-se de maneira intensa.
Os meus óculos escuros reflectiam aquela luz banhada de vento conferindo equilíbrio ao mundo que passava à minha volta.

Acendi um cigarro inútil e deixei-me ficar sentado. Deixei a minha cabeça apoiar-se na minha mão livre e deixei os meus dedos afagar o meu cabelo.



Pensativo. A contemplar o rio, o movimento do ar, a minha presença aqui, fumei a meias com o vento.
Cansado. A reviver horas e dias em permanente loop. A querer desligar-me mas a não permitir-me desligar da corrente de fadiga que me fazia procurar a turbulência do inverno, ao invés do repouso da minha casa.
Confuso. Tudo tinha sido demasiado rápido, mas também premeditado. Palavras foram ditas e enviadas a quem quisesse ler.

O mundo rodopiava indiferente ao que se movia dentro de mim, tudo conforme delineado. Este mundo não pertence a quem duvida, a quem quer deter-se a pensar. O tempo evapora-se sem fazer perguntas e sem repetições. E os corpos não sabem existir assim. Nem as mentes. E muito menos as almas.
São voltas demais para entidades tão fracas como nós.
Mas hoje sinto que ninguém é mais fraco que eu.

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