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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sal




Cheira a sal. Na tua pele.
Estendeste o corpo à minha frente para que o sol o beije completamente. 

Os pingos deixam-se cair pelas tuas pernas e pelas tuas costas, já bronzeadas, e eu invejo-as porque te tocam. Confesso. Apeteces-me neste momento. Mas não podemos, há gente. Mantenho no silêncio este meu desejo permanente, tentando desviar o meu pensamento do teu corpo.
O mar mantém o seu perfume em ti, tentando-me com mais força. 
Fico-me pelo beijo suave no teu ombro, declarando o meu amor por ti. Só por ti. 
Não sopra senão uma aragem, leve como tu, que me traz esse odor salgado, e me chama a atenção em permanência. Sei que estou inebriado por tudo aquilo que te faz ser mulher, deitada ao meu lado, com esse perfume de mar. 

O meu beijo faz virar a tua face na minha direcção. A luz não te deixa manter os olhos abertos mas não desfaz o sorriso dos teus lábios, respondendo-me a este mimo sem barreiras que posso deixar fluir. 
Abraças as minhas costas com o teu braço, já colorido com os tons do Verão, para que me beijes a face. Sussurras baixinho "eu também", antes de retribuíres o carinho no meu braço, com a delicadeza do teu beijo. Tudo está normal, penso. 

O meu mundo está a girar no sentido desejado, porque estás aqui. 
Porque estou aqui. Contigo. Como deve ser.

Tudo faz sentido. 
Porque é a tua pele que perfuma os meus dias.
Porque é o teu sussurrar que me ama.
Porque é o teu beijo que me expia de todo o pecado.

Porque tudo faz sentido, quando posso viver o meu amor ao teu lado. E não preciso de mais nada.

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