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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Sem sentido

Eu gosto de ti.

Simples e directo. Eu gosto de ti. Custa muito dizer, mas é assim que as coisas estão. E, ao que me parece, tu gostas de mim. E isso sim, custa horrores ser dito. Porque não faz sentido, nunca poderia fazer. 

Mas agora isso voou tudo pela janela, pela mesma janela onde agora me deixo a contemplar, com os olhos postos nos dias que passam com a lentidão do Verão que teima em se fazer sentir. Porque não faz sentido, nunca poderia fazer.

Toda eu sou Verão, agora. Sorrio conformadamente, ainda incrédula mas consciente de que não posso fazer mais nada. Este sol queima as nossas peles, marcando-nos com memórias dos dias que vão, também eles, passar por nós lentamente com passadas firmes. São as recordações daquilo que ainda não aconteceu que me preenchem os lábios. E isto não me faz sentido nenhum, nem nunca poderá fazer.

No entanto, prefiro guardar segredo das emoções que enchem o paladar e o pensamento. É melhor. É mais seguro. Assim dói menos. Nunca, como agora, precisei da minha armadura bem preparada para as investidas que se aproximam. Porquê? Porque não faz sentido, nunca poderia fazer. 

Mas diz-me: há alguma coisa que faça sentido? Nestas horas, nestas confissões que só a minha mente escuta, existe alguma parte de nós que faça sentido? Claro que não. E é assim mesmo que te quero. Sem sentido, sem promessas, sem compromissos. 

Porque só assim fará sentido, da única maneira que poderia fazer.



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