Translate

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Pertença

Adoraria passar, simplesmente.

Adoraria passar pelos dias sem os ver correr desenfreados, sem os viver desnecessariamente, sem esperar mais. Apenas porque significaria que estava contigo. Escondido. Protegido. Contigo.

Nesta cidade deprimida pelos tempos obscuros, nada há para fazer que não seja pensar-te.

Investir o meu tempo em ti, de forma permanente e reflectida. É um investimento inseguro, sem retorno expectável, a um custo hipoteticamente elevado.
Mas é esta a minha forma de te gostar.

Ver-te à frente dos meus olhos, esticar a minha mão e não conseguir tocar-te, mas ainda assim sorrir... Sentir-te respirar ao meu lado, abraçada ao meu peito, sem que aqui estejas. Navegar cada recanto desta calçada sem conseguir tirar os olhos do chão por ter vergonha que as gentes me achem maluco por sorrir sem motivo aparente.

É a minha maneira de te pertencer. Não conheço outra forma de viver, de ser pleno, quem sabe até feliz.
Mesmo que nunca seja mais que a minha imaginação que me leva até ti, sem que o saibas. Sem que confesses que, por instantes, me soubeste junto a ti a sussurrar-te o impossível, encostado ao teu ouvido. Mesmo aí, onde dormes. Aí onde eu queria estar.



Haverá outra forma de te ter?...
Se houver não a quero saber. Será imperfeita e sujeita a tremores de terra e aflições.
Prefiro estar assim, longe e perto em simultâneo. Da única maneira que faz sentido querer-te.

Assim...








Sem comentários:

Enviar um comentário