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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Mérito

Devia ser proibido ter ansiedades destas. 

Nos nossos genes devia haver um mecanismo de defesa contra ti. Contra as coisas que me fazes pensar. Prevenção contra esta loucura que me fazes passar de cada vez que me lembro que existes.
É imoral, sei. Vai contra todas as convenções que me ensinaram ser válidas. Mas nada me vale, agora. Neste momento não sei a quem ou a que recorra para me acalmar este estado de angústia e pecado. Sim, porque aquilo que sonho tem que ser pecaminoso e punido. Porque me fazes pensar em ti de todas estas formas?


Não me ignoras a existência. Eu não deixo.
Sabes qual o meu rosto e como se chamam os meus olhos quando se encontram com os teus. E não tens pena de mim, nem me tentas consolar. Não te afastas, eu não deixo. 
Tu ris. Gostas de saber que te suspiro a cada pulsação que se manifesta em mim. E eu gosto que tu gostes, é indesmentível...

A minha fortuna continua a ser o facto de não te ver. A não ser quando adormeço, claro. Quando me deixas sonhar-te. Não tem o sabor da tua pele clara, ou o cheiro do teu peito, mas é o melhor que posso ter. Não me chega, mas dás-me isso, pelo menos.

Mas ainda assim permaneço nesta ansiedade atroz que não se acalma, para a qual não há, ainda, cura viável. Provavelmente, só tu me podes dar esse remédio, impregnado nos teus lábios, entregando-me a salvação com um beijo que desejo merecer. Mesmo que não te mereça. Mesmo assim, sei-te ser a chave da minha prisão que carrega o teu nome. 
Quero-a. Hoje e todos os dias que me esperam no horizonte...

Mesmo que não a mereça.

Mesmo que não te mereça. A ti e unicamente a ti. 







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