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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Liberdade

A voz saiu-lhe presa pela intensidade com que me amou.

Um suspiro, uma respiração profunda, do mais escondido recanto da alma. Era ela, plena e livre, comigo a segurar o corpo dela. A dizer-lhe que era ela e mais nenhuma. Eram todas as feridas que saravam, toda a luz que entrava por nós adentro. 
Era a contrição, o perdão que voavam pelas correntes de ar do prazer que nos rodeava. Era eu a pertencer-lhe e ela a dar-me  o que de melhor tinha para dar ao mundo. 

Éramos nós a ser. A deixar-nos ser. Somente. 

Para mim foi como se voltasse a sentir que viver fazia sentido. Para ela? Não quis perguntar, temia a resposta. Não era importante, naquele momento. Só importava que a abraçava, a amava, lhe falava baixinho, a beijava à procura da vida que brotava dos lábios dela em permanência... 

Olhava-me fixamente, segurando-me a face com as duas mãos, procurando a minha boca sempre. Deixava-me levar por cada movimento dela, entreguei-me por completo, e sei que ela o sentia perfeitamente. Momentos houve em que tremia nos meus braços.
E suspirava!
Toda ela era um furacão dos sentidos, e eu sem saber fazer mais que não fosse desejá-la e amá-la. Desejei-a com todo o meu espírito, até ao ponto em que sucumbi à vontade dela, à posse dela.
Não mais me lembro daquela tarde, e não é preciso. 

Resta-me apenas a memória dela a descansar em mim, quando quisemos que assim fosse.
Apenas memórias, nada mais. Porque dela sei apenas que ainda vive todo e cada dia. Dela sei apenas que aqui não está mais. Simplesmente porque me tinha ensinado aquilo que eu ainda não tinha aprendido. 


São apenas memórias daquele momento sem fim, que passou por mim demasiado rápido. Que eu guardei, um momento que me guardou e libertou.

São apenas e só memórias perfeitas. 
Tal como ela o é.



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