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terça-feira, 26 de julho de 2016

Indefinições

Tenho medo disto. 
Disto que não sei o que é.

Porque não nos falamos como antes, não nos chamamos como antes. 

Como se a estrada tivesse mudado à frente dos nossos olhos e não déssemos conta.
Como se tivéssemos deixado que a direcção deixasse de ser a que originalmente tínhamos antevisto.
Como se fosse, afinal, este o nosso destino final emergido das areias do nosso deserto comum.

Não sentes? Não respondas. Prefiro não saber.

Mas tenho medo, confesso-te. Receio que tudo seja furacão que passe a correr e nada reste depois da borrasca.
Que seja apenas uma passagem pelo teu refúgio, que apenas nos vívamos dentro do silêncio, como criminosos. Meros pecadores numa vida que merece mais que apenas o sonho.
Sem saber para onde olhar. 

Apenas prefiro não ver-te falar comigo sem dizer uma única palavra. Porque tenho receio que quando o faças, fujamos para longe para onde os dias se diluam nos rios da memória. Não apenas da tua, mas da minha também.
Fugaz entrega do ser que apenas anseia ser mais do que é. Daquela maneira que me olho ao espelho depois de te abraçar.

É natural? Faço-te sentido? Fazes-me sentido?
Não sei. Nada mais consigo saber...

Mas suponho que sim. 
É um dilema. O extremo da incerteza. Simplesmente uma verdade que não pode merecer mais detalhe ou debate.

És o meu medo e a minha vontade. E receio que ambos se misturem. Até que nada mais reste de nós, como a vida deveria ser vivida...


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