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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Impossível

Não te posso tocar. 

E é injusto. Imperfeito. Obsceno. Mas não te posso tocar.
Não existe saída nem alívio, não te posso tocar. Apenas te posso querer. 

E não chega. Nunca chega.

Anseio, numa sofreguidão exasperada, que um dia estas barreiras que nos manietam desapareçam. Que tudo o que está a mais se dilua em meros nadas, e que finalmente te toque e inspire.

Isto não é viver. É apenas aguentar todo e cada dia como se fosse uma penitência exagerada em busca de uma redenção que (estou consciente) não chegará nunca. 

E tu aí, à minha frente, como se nada disto te fizesse o mínimo sentido, por ignorares que todo este turbilhão existe e se faz gente.

Achei uma personificação do desejo. Tu. Ninguém mais. 

Foi tudo um desastre à espera de acontecer, a tempestade perfeita. E agora... agora algo me diz que a minha ansiada paz não me chegará nestes tempos vividos à velocidade da luz, que partilhamos e amaldiçoamos serem tão efémeros...

Como poderei, algum dia e nesta vida, saciar uma vontade que apenas mora na minha alma sem pele nem rosto? Vivo numa utopia que só eu conheço, que não partilho nem entrego a mais ninguém.
 
E tu aí, à minha frente. Sem que nada disto te faça sentido, sem que nada te inflame, enquanto eu me deixo consumir neste incêndio ao qual não vejo mais horizonte...

Não te posso tocar.
E é injusto. Imperfeito. Obsceno. Só desejar-te, e isso não chega.

Nunca chega. Nunca chegará...




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