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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Menina e Moça

É a pulsação que se sente, quando se anda por ela fora. 

Nada mais. Se fechares os olhos e permaneceres quieto, e mesmo no meio de tantas pessoas, sentes a sua pulsação. Bate ao ritmo das tuas esperanças e anseios mais íntimos. 

No meio deste teu refúgio, é o seu sangue que te bombeia ambição, vontade e até amor. Daquele que só tu sabes sentir, mas que só ela te sabe dar. 

Ela sente-te melhor que quem te conhece. As tuas veias são como as dela. Quando paras, no meio da sua respiração, paras também. Sentas-te algures numa rua carregada de movimento e pessoas à procura da vida que lhes foge a todo o instante, e observas. Acompanhas-te de um cigarro e deixas-te ficar, a ver. Analisar. Pensar nas histórias que preenchem aquelas almas que não percebem que a pressa com que vivem é a mesma que a Morte tem de as levar. Mas esta cidade é assim. Quem aqui existe acaba por ser assim. Bem, nem todos.

Os afortunados, como nós, ainda conseguem parar para respira-la e entendê-la. Percebemos que cada rua é como uma das nossas artérias. Que o nosso sangue está misturado com a vida que atravessa o corpo dela.


Sinto saudades. Sempre que aqui volto tenho saudades. 
Sinto a falta de aqui estar. Sinto pena de partir. Sinto-te, menina e moça.
Não te posso viver como vivo nos meus sonhos. Não te posso amar mais que aos pedaços. 
Mas vivo-te como posso, amo-te como me deixas amar-te.
 
Tu és assim. 
E a ti, Lisboa, não te quero de maneira diferente.

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