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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Abraços perfeitos

Abraça-me por agora, e não me digas mais nada. 
Agora estou sozinha no mundo, e preciso de colo. Não tentes abafar a minha dor porque dela não quero nada mais, a não ser a sua despedida. Estou cansada de a carregar e sozinha. São muitas luas a saber que este abraço me ia doer.

Abraça-me agora e não me sussurres ao ouvido que tudo ficará bem. Eu não quero saber isso, não quero mais ouvir mentiras disfarçadas de promessas de redenção. Dói-me e não posso fugir disso. Não podes tirar-me a dor, não podes arrancar-me a alma de dentro do meu corpo. Não podes fazer nada.

Abraça-me, por favor, e não me prometas a lua. Nem as estrelas, nem todo o firmamento que a nossa vista consegue ver daqui. Esta praia está vazia de gente, vazia de mim. Só aqui mora o vento e o mar, que me sente a sofrer. Não me respires, não me entendas, não me estudes. Esse tempo já passou.

Abraça-me, peço-te, só mais uma vez. Não te pedirei mais nada. Não me seques o choro, nem a expressão. Não faças nada senão segurar-me. Só mais esta vez, apenas mais esta vez. Depois vai. Eu deixo-te ir.

Abraça-me nesta permanente despedida dos sentidos que por ti deixei nascer.

Abraça-me e deixa-me aqui. Sozinha como me queres. Acompanhada, aliás, por mim mesma e pelo céu que escureceu entretanto. Vou ficar aqui até o calor do teu abraço se transformar em memória finda da forma mais abrupta. Vou permanecer aqui até que não sejam os teus braços em volta de mim, mas a chuva e o vento frio que me ajuda a voltar à triste realidade da tua ausência. Vou aqui ficar até que nada de ti reste, e tudo de mim seja um reerguer da triste doçura de viver.

Abraça-me e vai. Eu fico. Eu fico sempre.






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