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terça-feira, 10 de maio de 2016

Suspiros ao amanhecer

Suspira.
Do alto da tristeza, que é só dela, suspira.
Do profundo do coração que a enganou e agora corta, suspira.



São os dias passados, os risos partilhados, os beijos roubados. São os momentos que antes lhe aqueciam as noites que lhe dilaceram o íntimo e a vontade de ser ela mesma, novamente, que a corroem. Assim, ela suspira.

É a saudade de quem foi, nos tempos antes da prisão, que a faz pausar mais hoje que ontem. É com as saudades do que já se foi e quase não se lembrava, que o suspiro a enche. Com toda a força do relembrar de si, suspira.

É o forçado virar de página, a reaprendizagem de um esquecido grito de Ipiranga, é o caminho que, de tão antigo, lhe cheira e sabe a novo. É tudo tão tristemente familiar quanto perfeito. A contradição, é a contradição que a faz suspirar...


Mas ela também respira e renova. Ela também ri e sonha. É assim que ela é e foi, não precisa mudar a cada passo que se segue. Ela suspira, mas também sabe sorrir.
Os segredos que já não o são, estão ao alcance das mãos e do desejo dela para a aquecer agora, ao invés de um abraço que não mais faz sentido.


Suspira? Ora, não faz mal.
Para ela nada faz mal, nem nada fará mal.

É ela, e isso basta-lhe.




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