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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Perdão

Perdoa-me só mais esta vez.

Desculpa-me se não te posso possuir, se não posso abandonar o mundo como o conheço para te amar como se o Universo terminasse esta noite. 

Peço-te perdão se, quando te seguro nos meus abraços, não posso manter-te junto ao meu peito mais que breves instantes. Perdoa-me por não te dizer ao ouvido aquilo que o coração segreda permanentemente ao meu ouvido, que tu não ouves saído dos meus lábios.

Desculpa se as minhas palavras não encontram a tua confiança, como nos tempos idos em que lutaríamos contra tudo e todos apenas por um minuto de deleite na cama, ou no parque de estacionamento escondido dos olhares do mundo inteiro.

Perdoa-me por não acreditares que nunca saíste de dentro da minha alma, se não consigo mais dar-te a realidade do que sei ser verdade. Peço-te que me perdoes por não acreditares na minha boca, nem no meu corpo quando te abraço e beijo suavemente.

Desculpa se não consigo mostrar-te o quanto a tua presença ainda ilumina os meus dias. Perdoa-me, por favor, se não te sei colocar em palavras o quanto és imprescindível, e por tudo aquilo que não te dou e que sei que precisas para te sentires como imploras.

Deixa-me penitenciar-me mais umas horas, uns meses, o resto da vida por não ter conseguido que me perdoes por te amar sem o mostrar. Desculpa-me, por favor, se as palavras sejam apenas palavras. Perdoa-me se não consegui que me amasses como manda o senso comum, e te afastasse do meu peito, onde repousavas a cabeça.

Perdoa-me por tudo aquilo que não te disse ontem, repito hoje e amanhã. Podes perdoar-me?
 
Só mais esta vez, prometo que é a última que te peço.
Perdoa-me. 
Só mais esta vez.

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