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quinta-feira, 12 de maio de 2016

Nothingman

"Once divided, there's nothing left to subtract/Some words when spoken/Can't be taken back/Walks on his own with thoughts he can't help thinking/Future's above, but in the past he's slow and sinking" - Eddie Vedder


É na entrega que a alma se acalenta. Pelo menos para ele.
É na rendição ao amor dela que tudo e nada fazem sentido. Pelo menos com ela.

O que não era, agora é. Tão simples como ouvir o som da voz dela dentro da sua cabeça, repetindo respirações e declarações que ela sente como mais ninguém.

Ele teme pelo futuro. O seu futuro. Uma incerteza que ele tem como certa, traumática, dolorosa, envolta num medo que ele conhece demasiado bem. Uma história de amor, da tal entrega, da desejada escravidão da qual ele não se quer soltar, mas receia que o liberte.

O antes fica lá atrás. Sensações tão iguais, mergulhos de olhos abertos num mar que não era o seu e do qual sabia sempre ter feito parte. É assim que tudo e nada fazem sentido. Só assim a canção merece ser vivida.

É ela a que lhe sabe falar, nos silêncios trocados quando nada mais é preciso dizer. O peito, as mãos, os pés que até ele caminham são dela, e para ela ele vai. Temeroso mas deixa-se ir. Para mergulhar, para ouvir, para viver.

É ela. Mais ninguém. Só ela sabe receber aquilo que subtraído, depois de dividido, ele deixa que saia do recanto mais escondido nele.




Só ela. Apenas ela.



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