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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Asfixiado

Não são elas, nem eles. Não é o mundo, nem as circunstâncias.
Não é nada disso. Isso são desculpas de quem prefere a leveza dos dias à dureza da vida como ela tem de ser.

Sou eu. 
Apenas eu. Bem, talvez não apenas, mas também. Sou eu e os meus demónios. Disfarçados de dúvida, de dores insensíveis, de objectos de prazer e concubinas de falso deleite que se fazem convidadas. Sou eu e as minhas tristezas, que se infiltram quando estou mais longe de ser eu. São lágrimas que escondo, que guardo cá dentro e não sei por cá fora. É o meu orgulho que não deixo de lado quando a tristeza é demasiado forte, e eu prefiro esconder e dizer que tudo está onde deve estar.

Somos nós. Eu e toda esta companhia de merda que me dá a mão quando eu quero apenas fugir dela(s)... 
Estou triste. Quero chorar e não me deixo. Quero ser a rocha para todos e o desabafo de nenhuns. Quero gritar para que me deixem em paz, que me dêem descanso. Mas fico em silêncio. 
Afogo-me no sofá, nas mantas que me transpiram, a ouvir a gente que de gente já nada tem é que insiste em correr em direcção a não sei o quâ. A janela está aberta para deixar entrar o ar, minto eu. A janela está aberta para que eu não morra, confesso eu. 
Perco-me de mim, dia após dia, lágrima após lágrima, conquista após conquista. E não sei que faça com isto tudo que me está a abençoar e desgastar. 
Eu não sei quem tu vês, não sei o que vejo eu reflectido neste vidro que me imita... 

Eu já não sei nada, nem quero saber, juro que não. Quero que isto passe, que esta âncora me deixe os pés livres, para que eu seja livre também. Não, não me mintas, não te admito que o faças. Não hoje, não agora. É mentira que tudo está bem, que agora tudo ficará bem. 

Enganas-te; não perdi a fé.
Apenas perdi o norte.
Não me afastei de nada. Aproximei-me de onde tinha já escapado.
Sou confusão, sou temor, sou nu.
Hoje sou isto, amanhã temo não saber quem sou...

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