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terça-feira, 19 de abril de 2016

Silêncio amado

Shhh... Não digas nada, agora.

Qualquer palavra dita vai fazer com que esta sensação fique manchada para sempre. Por isso não fales agora. 

Deixa-te estar, deitada em mim, ofegante e plena. Deixa o teu corpo respirar-se de volta, de regresso ao mundo dos vivos. Aqui não é o paraíso de onde vieste, mas é o melhor que podemos arranjar. Somos só nós, e nós é suficiente. Por isso não fales agora.

Este momento é meu, tanto quanto teu. Eu estou a conter-me, para que da minha boca não saia mais nada que não seja o ar que entrou nos meus pulmões, ansioso como eu estava de ti. Não quero, também, dizer nada. Tenho medo de dizer algo mal dito, mal pensado, mal sentido. Por isso não falo agora.

O lençol que descansa sobre o teu corpo e o meu está transpirado de sabores que deixaste. Tapa-te apenas as costas e deixou as tuas pernas, encaixadas em mim, saborear este ar pesado de prazer que nos envolve. Um manto branco que tem a mesma sorte que eu. Sou um sortudo, portanto. O abençoado sou eu... Por isso não falo agora.

Levantas a cabeça e olhas-me. Sem proferir um único som, olhas-me. O teu cabelo liso desce por ti, que apoias o queixo sorridente numa das mãos. O teu sorriso não esconde que achas, por qualquer milagre, que te achas tão afortunada como eu. E diabos me levem, se percebo como é possível que o aches. E não falas. É por isso que não falas agora.

Porque o silêncio basta-nos. Agora é suficiente. Não é preciso mais nada. Não digamos nada agora. Chega-nos este abraço tímido e pacífico. Por isso, fiquemos em silêncio, meu amor. 

E não digamos mais nada...

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