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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Qual o teu peso na minha alma?

Qual o teu peso na minha alma? Quanto me pesa o jugo da tua ausência?

Não sei bem. Há dias em que prefiro permanecer na ignorância desse número. É melhor assim. Sou menos infeliz assim. Mas sinto esse peso como a mais nenhum, e arrasto-me com a sofreguidão dos dias que custam mais a passar por mim.

O meu espírito está velho. Cansado dos tempos. É uma entidade idosa nas suas cicatrizes profundas que lhe roubam a mobilidade e a capacidade de usufruir das alegrias polvilhadas pela circunstância. O meu espírito está a morrer, parece-me. O meu corpo não, quero acreditar. Mas consta, nos anais da sabedoria comum, que a alma e o espírito são quem manda na nossa morte. O corpo apenas serve de demonstração exterior da doença que não se vê.

E estou doente, sim. Doente e subjugado a todo o peso da tua ausência na minha alma. Como todas as outras, a minha doença tem nome, mas nunca mais me atreverei a pronunciá-lo. Tenho medo de o fazer. Ofereceste-me uma vida de medos e doenças que mais ninguém sente, senão eu, da forma mais desleal e honesta possível. Desleal porque me roubaste da saúde, honesta porque foi um assumir direto que ias ser uma recordação.

Tenho que me sentar, parar, tentar respirar o resto de ar que me está destinado. E já não sei se consigo. Perdoa-me se desisto de arrastar-me contigo apoiada em mim. Desculpa se perco a vontade de subir degraus, palmilhar estradas, sorrir apenas porque sim. Perdoa-me, mas não consigo mais. Estou vencido, por fim.

Estou velho e cansado. E doente. (suspiro)

Olho-te pelos olhos da minha memória e neste momento te confesso que o peso de ti em mim é, finalmente, mais que aquele que consigo suportar...
E posso, de uma vez por todas, parar de respirar nesta existência que me roubou a minha vida que, afinal, eras tu...

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