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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Indisponível

A meio da noite, sem razão aparente a não ser querer sair de casa, arrastei-a até à marginal gelada pelo inverno.

- Podia dizer-te que  estou aqui, que me podes tocar, que amanhã te iria beijar com carinho e amor, com genuína devoção. Mas não é isso que vai acontecer.

- Porquê?

- Porque amanhã, quando acordasses, me irias ver sozinho à frente de uma janela e perguntar porque raio me deixei levar pelo teu sorriso e pelas tuas palavras pensadas. Ias perceber que não te pertenço, nem a mais ninguém senão a mim mesmo. Que nunca mais me poderias encantar depois de hoje e que, no meio de tudo, não me tinhas conquistado como tanto anseias. Ias ver que não estou nem disponível como pensei que estava, nem quero que estejas disponível para mim.

- Podias ter-me dito tudo isso no hotel, no meio da gala, e eu tinha-te deixado em paz, sem que tivessem passado estas semanas de provocações mútuas. E eu podia ter desligado e seguido como se nada fosse. Podias ter feito isso tudo, mas não fizeste. E agora como fico eu, no meio da tua indisponibilidade?

- Feliz porque não te magoei mais que agora.

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