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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Deitada comigo

Acende o lume, e senta-te aqui ao meu lado.
Como estás? Bem? Óptimo! Gosto muito de saber que estás bem, a sorrir e a levar a vida por onde sonhaste.


Eu? Oh, eu estou bem, suponho. Nada de grandes curvas e estradas esburacadas, que esta vida não está para grandes aventuras ou sonhos. Pelo menos a minha. A sério, estou bem. Não deixes a minha voz embargada enganar-te. Estou realmente no meu melhor, atendendo às condicionantes que tão mal conheces.


Tu é que estás óptima! Irradias uma paz e calma que invejo, confesso-te. Os ares longe deste ermo têm-te feito milagres, é uma verdade. Não, não tenho pena de nunca ter saído daqui. Foram só projectos, deixa lá. Não é grave ficar preso a um calhau, desde que possamos sair dele, de quando em vez. Também eu vou poder fazê-lo, não te preocupes comigo. Conta-me mas é de ti. Quero saber de ti...


Sim, também sentia alguma nostalgia de me sentar a conversar como se não houvesse tecnologia, é verdade. E ao pé desta lareira ainda melhor. Gostas dela? Pois é, foi uma boa aposta mudar-me para aqui. Estás à vontade para vir cá aquecer as mãos quando queiras.


Desculpa não tirar os olhos de ti, não é por mal. Simplesmente quero aproveitar cada momento que te possa ver, porque não sei se algum dia mais o irei fazer. São as saudades que falam mais alto, na maioria do tempo. É por te estar a olhar que hoje sorrio tanto. Não é preciso corares, não te conto qualquer novidade. Mas antes rires que ficares triste, não é?




                                                              (.....)

Não sei quantas horas ali ficámos a olhar-nos, a conversar, a matar carências, e sorrir. Foi um fim de noite perfeito que chegou às primeiras luzes do sol, na manhã que acordou depois.

O cansaço venceu-a pela manhã e não a deixei conduzir assim. Ficou comigo, cada um numa ponta do sofá, embora mais tarde tenha acordado com ela a abraçar-se a mim, sem falar, só a respirar e adormecer profundamente. Deitada perfeitamente no meu peito que respirava fundo, pela primeira vez em anos.

Abracei-a de volta e adormeci com ela, mas não acordei com ela. Ela não tinha ficado.

Nunca mais a vi. Nunca mais a ouvi. Mas valeu a pena aquela despedida que só os grandes amores conseguem proporcionar, que só ela sabia dar-me.

Um último abraço. Uma última vez. Uma última réstea de saber o que é ser verdadeiramente feliz...

1 comentário:

  1. Muito bacana, se valeu a pena e foi verdadeiro então.... o suspiro e a felicidade permanece sempre, sinal que é inesquecível, sempre é bom lembrar.

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