Translate

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Viver ou Morrer: quem decide?

Sonhei que tinha o nó apertado ao pescoço,
Que não conseguia que os meus braços lhe chegassem para o afrouxar,
Que chorava em desespero, em desnorte,
Que pedia ajuda e ninguém chegava para me ajudar.

Sonhei que estava debaixo do manto do mar,
Sozinho remava contra o peso da maré que me empurrava,
Que não conseguia aproximar-me do ar lá fora,
Que os meus pulmões sofriam e a minha boca se fechava,
Que o pânico do afogamento me envolvia,
Que eu ia morrer no meio do oceano que tanto amava.

Sonhei que caía de uma altura que ninguém consegue quantificar,
Que esbracejava sem parar até me cansar,
Que via o chão mais perto e gritava mais alto que algum dia consegui,
Que sentia que nada tinha feito para merecer a queda sem fim.

Sonhei, uma e outra vez, que a Morte me abraçava, mas no último momento me perdoava.
Uma e outra vez sofri os piores horrores que o pânico sabe dar.
E uma e outra vez me arrependi de me desligar do mundo.
Foi o medo da morte, o medo do permanente sofrimento, que me manteve a desejar a vida, ao invés de abraçar o sono eterno.



Não quero morrer. Mas tenho receio que haja alguém que não partilhe da minha vontade...

Sem comentários:

Enviar um comentário