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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Viver ou Morrer: quem decide?

Sonhei que tinha o nó apertado ao pescoço,
Que não conseguia que os meus braços lhe chegassem para o afrouxar,
Que chorava em desespero, em desnorte,
Que pedia ajuda e ninguém chegava para me ajudar.

Sonhei que estava debaixo do manto do mar,
Sozinho remava contra o peso da maré que me empurrava,
Que não conseguia aproximar-me do ar lá fora,
Que os meus pulmões sofriam e a minha boca se fechava,
Que o pânico do afogamento me envolvia,
Que eu ia morrer no meio do oceano que tanto amava.

Sonhei que caía de uma altura que ninguém consegue quantificar,
Que esbracejava sem parar até me cansar,
Que via o chão mais perto e gritava mais alto que algum dia consegui,
Que sentia que nada tinha feito para merecer a queda sem fim.

Sonhei, uma e outra vez, que a Morte me abraçava, mas no último momento me perdoava.
Uma e outra vez sofri os piores horrores que o pânico sabe dar.
E uma e outra vez me arrependi de me desligar do mundo.
Foi o medo da morte, o medo do permanente sofrimento, que me manteve a desejar a vida, ao invés de abraçar o sono eterno.



Não quero morrer. Mas tenho receio que haja alguém que não partilhe da minha vontade...

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Angústia

Não percebo de onde vem esta angústia, honestamente. É um aperto aqui dentro que não tem descrição, ou melhor não tem justificação. Só sei que aperta. Muito. E derrete-me. Muito. O que mais custa é o facto de não encontrar explicação plausível para um estado letárgico que apenas eu sei sentir.

Tu não percebes nada disto. Tens as tuas próprias preocupações que certamente não são tão gritantes como este ardor que vai comendo a minha fibra e deixa na vala comum do pensamento.

É uma sepultura, acho. Não existe ar, nem me consigo mexer convenientemente por isso deve ser esse o sítio onde estou. Mas é indicado, acredito. Nascemos para morrer, tão somente isso, e se morrer é viver dia após dia nesta angústia e inocência, então estou no caminho certo. Breve estarei a ver os braços esticados do Anjo da Morte e ele se irá encarregar de tratar de mim.

Apenas desejo que tenha energia para aguentar o suficiente para que ultrapasse todos os que me amam, para que não assistam, em dor, à dor que é sentir a dor que a alma se encarrega de me difundir por todos os cantos do meu sentir.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Obsessão

Poderia ter sido tudo perfeito, moralmente aceitável, limpo e delicado. Mas não, foi tudo solavancos, imoral, sujo e desajeitado. Tal e qual como eu.

Não é possível querer fazer algo diferente daquilo que somos, e apenas um tolo poderia pensar que sim. Faz parte de fantasiar e sonhar, mas nunca, mas mesmo nunca passará disso mesmo: estupidificada fantasia e sonho vazio.

Não se pode ir por uma travessa se a nossa natureza nos empurra para uma ruela. 
É assim tão simples. Que tolo que fui... outra vez.

"O amor é a única resposta duma existência em plenitude.
Não é um objecto, nem algo que se conquista.
É um estado interior de profunda sensibilidade à vida.
É uma festa e uma alegria que surge
quando a nossa mente
morre para os preconceitos enganadores
e para as mentiras.
É por isso que o Amor nunca é imoral." (Júlio Roberto)

Será? Duvido profundamente. Tu achas que é assim? Tenho pena de ti e da tua carente obsessão por acreditar num mundo de fantasias em que queres viver.

                             

         Morre nessa procura, nessa obcessão, 
pois vida é algo que nunca mais conseguirás ter.