Translate

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Indecisão decidida

Consegues ouvir-me chamar por ti?

Podes vir até mim e abraçar-me? Dizer-me que tudo vai ficar bem. Só uma vez. Só mais esta vez. Não te peço muito, afinal. Vem até perto de mim e segura-me bem perto do teu peito e segreda-me que isto vai passar. 


Não te imploro por carinhos, afectos, beijos. Só por palavras, mesmo que vazias de verdade. Que te ouvisse uma vez mais, seria suficiente para me alimentar esta noite. Amanhã logo se vê. Mas hoje, hoje preciso do teu segredo junto ao meu.
 

Podes mentir-me, não me importo. Mente e diz-me que precisas de mim como nunca precisaste de mais nenhuma. Que me amas, ainda, que nunca vai terminar esta nossa história. 

                                                                  Só mais uma vez, fala-me.

                                                                                     ....


Sento-me, por fim, no meu sofá. Sozinha, apaguei as luzes e deixei apenas a lua entrar. Está muito frio na rua, mas em mim sopra um vento muito mais gelado. Desliguei do meu monólogo enfadonho por saber que é apenas isso: um monólogo. Já não me queres ouvir, não me queres aplaudir no final das minhas palavras cuidadosamente escritas e ensaiadas. O palco já não é para mim. Tu és tudo, como queres. Argumentista, encenador, actor principal da tua própria história onde eu nem como personagem secundária tenho lugar ou dizeres.

Não pensei que doesse assim tanto. Nunca pensei que fosse terminar. E nunca pensei que fosse eu quem dissesse que tínhamos chegado ao fim. Não consegui mais, a verdade é somente esta. Consumiste tudo o quanto consegui colocar neste lume que foi a paixão que me moveu. Foste céus, estrelas, luas cheias. Para ti apenas fui um cometa que passou no teu firmamento que se foi apagando até que nem luz tinha para admirar.

Puxo uma manta para me cobrir as pernas. Agora o frio da rua sopra com mais força que o meu desalento. Talvez seja um bom sinal. Quer dizer que toda a fraqueza personificada nas palavras que antes te enviei no ar da noite se dissiparam, e que agora serei uma menina forte. Talvez o meu desejo que me abraces, me segures, me mintas tenha finalmente começado a desvanecer de mim.

Estou sozinha, agora. Sinto-te a falta, mas não te quero por perto. Nem contigo, nem sem ti.
É esse o meu lugar no mundo.
É neste mundo em que preferi viver.
Onde, afinal, tudo se resume a ti.

Sem comentários:

Enviar um comentário