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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Fotografia

Estás sorridente.

Calma, descontraída. Sorridente. Atrevo-me a dizer que, nesta fotografia, estás confiante.

Tens um ar confiante de que tudo vai correr bem entre nós. O amor está estampado no teu rosto calmo, descrontraído e sorridente. Não sei quando tiraste esta fotografia, nem quem ta tirou. Sei apenas que ficaste bem, como sempre ficavas.


Passou um ano desde que partiste. Ainda não aprendi como se faz para suprir a ausência de uma pessoa que arrebatou todo um universo à sua volta.

No entanto, ainda me lembro do dia que soube que tinhas morrido. Lembro-me de forma perfeita, se queres que te diga. O meu telefone caiu no chão, desfez-se em dezenas de pedaços, e a frase repetia-se na minha cabeça "ela morreu". Era uma referência repetida a tal velocidade que não sei se dei espaço à minha cabeça para pensar noutra coisa que não fosse "ela morreu".

Nunca sofri tanto como naquelas horas. Dói sempre muito quando sabemos que nunca mais veremos a pessoa amada. Que nunca mais iremos falar com ela, rir com ela, viver a vida com a beleza dela. Tinhas morrido e eu apenas teria as imagens dos nossos anos, dos nossos momentos, dos choros e brigas, do prazer interminável, da serenidade que a tua presença me concedia sem pedir licença. Tudo apenas guardado na minha frágil memória.

E nas fotografias. Nas imagens que de ti guardei, os segundos que se eternizam num pedaço de papel brilhante onde finjo que consigo matar as saudades.

Hoje é um dia igual aos outros que lhe antecederam. Diferente, é certo, mas igual aos anteriores.


Simplesmente, é um dia que não vale a pena ser vivido porque tu não estás. Nada mais vale a pena ser vivido apenas porque tu não estás.

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