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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A noite em que o mundo não girou

É uma sede indescritível.
É mais forte que tudo o que consiga dizer. É uma vontade que não sei comparar a mais nada que tenha querido nos meus dias passados. É perder-me no teu seio e não querer encontrar o caminho de volta a casa.


Disse-lhe tudo com os meus olhos. E ela assentiu com o respirar junto à minha boca. Abraçou-me em seguida e o mundo parou por muito tempo. Ficámos envolvidos no nosso abraço, com medo de nos soltarmos. Em nós tudo se tornou medo naquele abraço.

Medo de termos de voltar às nossas vidas imperfeitas.
                                                                               
Medo de que se nos soltássemos que tudo não tivesse passado de uma ilusão, um sonho que morre ao acordar.
                                                                                                 Medo que apenas um abraço nos assombrasse as noites de insónias em que este desejo se iria transformar.
                                                                                                              Medo que não pudesse provar o sabor da tua pele, o teu cheiro, a tua língua no teu beijo.
                                                     
                                                                                      Medo que fugisses de mim.

O tempo não passava. Expulsámos da nossa presença a morte, a descrença e parámos o mundo na sua rotação. Enquanto ficássemos abraçados nada mais iria importar. E foi perfeito assim mesmo.
Sem nos separarmos do nosso abraço deixámos que as nossas bocas se encontrassem até que um beijo não era suficiente. Só os corpos poderiam saciar o que a mente suspirava.

Juntamo-nos, amamo-nos.
Era um princípio sem fim à vista.
                                                                                                     Era o mundo que não girava.
Era a terapia suprema dos sentidos que procuram o seu norte.
                                                                                    Era um tudo que sabíamos não poder ser mais nada.


Na manhã seguinte o mundo voltou a girar e o tempo voltou para nos assombrar. Ou a mim, muito mais a mim que me encontrei só na cama que testemunhou o nosso efémero amor. Dela não sabia e desconheço quando saiu de perto de mim, permitindo que tudo voltasse ao ponto de partida.

Foi um amor que não podia sê-lo, aquele que tivémos na nossa simbiose há tanto tempo sonhada. Regressou a normalidade, e com ela a certeza que aquela noite seria para sempre nossa e não passaria mais de ser aquilo que foi.

Para nós apenas seria isso.
Para mim seria muito mais. Seria para sempre a noite em que o mundo nos deixou ser aquilo que só nós sabíamos ser.
Foi a noite em que o mundo e o tempo conluiram connosco e se afastaram para sermos o que não mais poderíamos ser.

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