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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Corrosão

O amor dói. Pode corroer. Pode ser a força mais destrutiva da alma, e mesmo assim aceitamo-lo.
Pode ser um autêntico salvador, mas nunca o sabemos a não ser que o deixemos entrar. E nós não queremos ser salvos, convém que sejamos francos.

Pode ser uma recordação, uma brisa no fundo da memória que nos abraça. Aquela lembrança, o pensamento feliz para onde podemos fugir quando nada nos sorri.
O amor pode ser uma pessoa que nos marca, que nos dissolve, que nos faz renascer.

O amor pode estar disfarçado de beijo passageiro que aconchega nas noites mais geladas do nosso inverno pessoal.
Sabe assumir as formas mais desejadas apenas para nos enganar e fazer pensar que é tudo tão bom…
E como nós amamos ser enganados. Nós preferimos o engano à verdade crua. Nós somos os masoquistas da alma, os presos políticos do coração que nunca vão conhecer a liberdade, nem vão ver o sol como foi antes.

Nós somos a chuva que cai do céu mais negro, que troveja, vocifera! Inundamos os nossos vales e planícies calmas com a raiva e a dor que só o amor pode dar, que só o amor pode ser!
Nós somos os deuses mais impotentes do nosso mundo que desprovemos de regras, de sentidos, de emoções!
E somos tudo o que apenas ousamos sonhar nos nossos pesadelos, por causa do amor. O mesmo que foge, corrói, surpreende…

Amar dói. Sofrer por amor também. Muda-nos para sempre.

Mas, mesmo assim e apesar de tudo, ainda não conhecemos dor que por nós seja mais amada que aquela que o amor nos dá.

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