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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Voar

Perdeste-me no dia que me prendeste.

Passei toda a minha vida vivendo-a de forma livre.
Respirei cada fôlego como se fosse o meu último.
Saboreei cada gota de vida como só os insaciáveis sabem saborear.
Deixei-me tocar por quem me soube conhecer.

E eu deixei-te conhecer-me como ninguém antes tinha tido permissão para conhecer. Entraste por mim adentro como se o meu mundo fosse agora uma permanente celebração.
Perdoei cada falha no teu carácter porque te aceitei tal como és, e deixei-te viver em mim livre de ónus e encargos, pedindo apenas que não me prendesses junto a ti.

Soube ler nas entrelinhas que me amavas mais do que as palavras poderiam dizer, e como a minha perfeita correspondência te preenchia os dias, acalmava as noites e trazia a energia do Sol no teu corpo.
Mas houve sempre algo que me rogavas que te desse e que sabias que não te poderia dar jamais: a minha alma em exclusivo.