Translate

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Uma e outra vez...

Descansa, agora.

Enquanto acendo um cigarro, ouço o movimento dela nos lençóis. As pernas dela movem-se lenta e seguramente por entre os lençóis que a cobrem parcialmente.
Deixei-a a dormir depois do prazer. Prefiro fumar e olhar encostado na ombreira da porta. Sei lá, parece-me uma pose mais “hollywoodesca” que apenas ficar ali deitado a olhar de lado. E não há ninguém que não goste de olhar a uma distância razoável.

Consigo fumar sem fazer um único som, consigo olhar sem dar nas vistas ao instinto dela.
Tenho sorte, penso. Que bem terei eu feito, e a quem, para me seres dada, assim, de mão beijada?

Não sei, mas obrigado. Alguém lá em cima gosta mesmo de mim…

Permanece deitada, ali na cama, virada para onde eu estava, de braços esticados para a frente, deixando o seu seio desnudo para meu prazer. Quando me dirijo para a cama, perco-me momentaneamente a estudar todos os centímetros da pele dela, que permanecem destapados de lençóis, e penso-a. Estudo-a. Inspiro-a. Sonho-a.

Maravilhosa, suspiro na direção dela.
Cheiro a tabaco, ela sente-o e abre os olhos verdes para mim. Sorri aquele sorriso malicioso e, ao mesmo tempo, envergonhado.

Estiveste a fumar.
Estive, sei que largaste, mas eu não.
Não vais voltar aqui, para pé de mim?
Vou, claro que vou... Não me vês aqui?

Nada se poderá jamais comparar às carícias que lhe dou na face quando ela está assim. Calma. Relaxada. Amada. A amar de volta, com um simples abrir e fechar de olhos lento, pausado e delicioso demais para explicar.
Deito-me no mesmo compasso, apoiando-me no meu braço, e retribui-me o gesto. Continuas com o cabelo perfeito, confesso-lhe. Sorri de novo, enquanto abre os olhos num pleno despertar. Esticando-se na minha direção, beija-me suavemente uma e outra vez até se anichar por completo em mim, até eu a deixar respirar no meu peito, segura pelo meu abraço.


No meu colo descansas,
                                             no meu braço te proteges,
                                                                                              no meu amor te refugias,
no nosso prazer renascemos.


Uma e outra vez…

Sem comentários:

Enviar um comentário