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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O vento

Soprava forte.

O vento. A mágoa. O medo.
A perda misturava-se com tudo e com o aglomerar de nadas que eu contava na minha mente.

Pesei tudo. Vez após vez. Contei o que ainda não tinha, contrapondo com os restos que me caíam à frente.


Soprou um vento mais forte que todos, lembro-me. O vento que me empurrou para uma decisão dolorosa e necessária. Uma falésia que me molhava a roupa, a face, o íntimo. Tinha de partir, tinha de perder, tinha que me magoar, tinha que me embalar pelo vento para por fim renascer.

Foi um dia triste, recordo.
Foi um dia triste, tenho a certeza.
Ainda sinto na minha pele molhada o sopro forte do vento do fim de tarde. É estranho, lembro de pensar. Como se misturam todas as sensações pesadas da minha história recente como se de uma corda se tratassem? Pensei e pensei, e não soube responder.

Não era suposto responder.
As falésias da nossa vida existirão sempre. Saltar e desistir, recuar e continuar. Decisões, decisões.
Não te consigo dizer qual escolhi, porque nunca acordo da mesma maneira.

Mas conto-te isto: o vento soprou como nunca tinha soprado. E levou-me para onde nunca pude ser levado.

Tu lembras. Eu recordo.
Tu assistes. Eu vivo.
Tu segues. Eu não sei.


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