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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A partida

Malas feitas. Está na hora.

Arrumei tudo dentro da mala, menos quem gostaria de levar. É assim que o mundo gira, é assim que se avança, mesmo contra os mais profundos desejos de cada um.
Não consigo ainda fechar a mala maior. É onde guardo roupas, livros e alguns pedaços deste sítio que agora deixo.

Não cabe tudo. Não cabem as pessoas, mas ainda procuro recantos onde possa colocá-las. Sinto-me idiota por fazer essa busca, mas de tudo o que levo nada poderá servir de aconchego quando comparado a um abraço, um carinho, um telefonema, um beijo.


Falta espaço para muita gente, mas especialmente falta-me o espaço para ti. És tu quem eu mais quero levar, e és quem menos pode acompanhar-me. Tal como tanta coisa nesta vida, é injusto que não possas ir também, para que não vá só eu.

Sento na cama, respiro fundo e deixo que toda a saudade presente e futura me saia pelos olhos.
Amaldiçoo tudo à minha volta que me forçou a ponderar, a pesar tudo, e deixo-me chorar sem restrições por toda esta obrigação de ter de partir.
Chamo de tudo ao destino, ao universo até, por ter de deixar tudo o que gosto e amo, para que possa mudar as linhas que de mim foram escritas.

Mas o que custa é deixar-te a ti.
O que mais custou foi ter de te esconder que ia partir. O que mais custou, e custou sempre, foi esconder-te que algo de novo se preparava para acontecer, sem pedir opinião, sem te dizer absolutamente nada.
O que custa mais é deixar-te a ti. Sempre a ti.

As malas estão feitas, estão prontas a fechar.
Mas não estão completas. Faltas tu.

Faltas sempre tu. Sempre tu.
Faltas sempre tu.


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