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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Prometo Falhar para me Salvar

Fonte: msgqueedificam.blogspot.com

Qual é a cara do desespero?
Qual a expressão da perdição?
Qual o caminho para a salvação, a fuga do desespero e da perdição?

Qual deve ser a penitência?
Qual deve ser o preço a pagar pela falha?
Qual deve ser o sentido da confissão, senão o perdão?

Se me souberes responder, agradeço-te.
Se não souberes, não te preocupes. Eu perdoo-te que me tenhas falhado.

Ao contrário de ti, eu sou capaz de perdoar, embora não esqueça.
Tal como tu, por outro lado, sou capaz de falhar.
Não confio na teoria da aprendizagem com erro. É apenas uma teoria da batata, e teorias da batata nunca me fizeram bem, mesmo que sendo algo engraçadas.

E por favor, não me tentes descobrir o desespero, pois em nada o podes diminuir. Não o entendes, não o viveste, como poderias entendê-lo? Exacto: não podes, nem nunca poderás. Não tentes ler-me a expressão, pois sou eu o melhor actor da minha geração, capaz de gerar emoções como quem gera dúvidas existenciais, mas mais rápido. Não consegues mais ler-me o olhar. E roubei-te a chave da minha alma; estás proibido de lá entrar. Aceita. Não mais és bem-vindo aqui. Ofereceste-me o desespero, mesmo não o conhecendo, nem sabendo as consequências nefastas que ele traria.
Aceito. Agradeço. Perdoo. Mas não esqueço.

Caminho, calma e serenamente, no caminho mais escuro, numa direcção que julguei sempre obsoleta e, porventura, esquecida. Para onde as almas se perdem e a alegria se converte em espasmo doloroso. A minha alma foi empurrada, por ti, para esse sítio. Não hesitaste. Não ponderaste. Agiste, simplesmente.
Aceito. Agradeço. Perdoo. Mas não esqueço.

Ajoelhei-me e fiz a minha contrição. Pedi ajuda para suprir as minhas falhas. Mas a ajuda não veio. O julgamento? Esse chegou veloz e ardente. Mas a ajuda? A ajuda não veio. Tentei racionalizar com quem me julgava. Mas não quis ouvir, nem aceitar como válidas as minhas premissas. Ao invés, sentenciou-me e rejeitou o meu pedido de recurso. Novamente supliquei por ajuda. Mas a ajuda não veio. Decidi-me então: penitencio-me sozinho. Ajudo-me sozinho. E tentarei, sozinho, escapar.
Aceito. Agradeço. Perdoo. Mas não esqueço.

Sozinho se deve fazer a estrada.
A sós se procura a paz.
Unido consigo próprio se persegue a luz.
Não há ajuda disponível.

Aceito. Agradeço. Perdoo. Mas não esqueço.

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