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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Acordar Nunca Mais

Fonte: fotolog.com
Acorda.

Acorda para mim, uma vez mais.
Por mais que te custe olhar-me, fá-lo uma última vez. Levanta a cabeça e enfrenta os meus olhos um último momento.
Sim, eu sei. Eu sei que não queres despedir-te, mas é o teu próximo passo. Não és tu, sou eu. Também sei isso.

Não elaboraste grandes discursos, não andaste em redor do assunto, foste corajosa e disseste-o.

E foste sincera: o problema não és tu, sou eu. E eu sou o teu problema, no meio de todos os problemas surgidos na caminhada.
Que te cansaste de remar a sós, que as direcções são distintas, que os teus despertares não são os mesmos.
Que adormeces com mais dificuldade e os sonhos deixaram de ser poesia de Pessoa, para serem poesia de Dante.

A Lua perdeu a graça de outros tempos, e o Sol escondeu-se para todo o sempre.
É o vazio, é o buraco negro para onde fugiu a luz que trazias na tua face e o brilho no olhar que apagou.
É o corriqueiro, é o normal, é o banal sentimento que antes já tinhas provado, mas que eu há muito tinha olvidado.

Terminou. Irás.

Não, não vais acordar mais.
Não, deste sono absoluto não há beijo, não há magia, não há tratado de tréguas, não há mais conversações de paz.

Terminou. Irás.
 E mais não irás acordar.


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