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terça-feira, 30 de junho de 2015

A Morte saiu à rua

Fonte: fioapavioblogue.blogspot.com
Partiste.
Foste para outro lugar.
Eu não queria, mas não dependia da minha vontade. Não estava ao meu alcance prender-te. Por isso, partiste. E foste para outro lugar.

Por vezes a vida leva-nos o que mais desejamos ter por perto. Por incapacidade nossa de manter a presença do outro alguém. Pelo cansaço do trabalho que dá manter o outro alguém na nossa esfera. Por causas naturais que reclamam os corpos e as almas em conjunto.

Tanta coisa que nos irritamos com a panóplia de coisas que nos roubam pessoas, e almas. Somos impotentes em algumas, mas perfeitamente capazes de evitar outras. Mas cegamos, julgamos mal, perdemos.

E tu és daquele lote dos perdidos.
Fugiste para outro lugar, apesar de não ser essa tua vontade. Também tu foste impotente para o evitar.
E agora ficamos cá. À espera da nossa vez.
Submersos na vã esperança de que um dia nos voltemos a reunir para partilhar o que antes partilhávamos. Como se nada tivesse mudado, como se o tempo não fizesse mal, como se nada significasse a ausência imposta.

Tolos. Não passamos de tolos.
E que tolos fomos por não aproveitar enquanto cá estavas.

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