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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Sonhos

Sonhar faz bem, rezam as crónicas.

Confessa: tu amas sonhar.
O que te dói é que os teus sonhos raras vezes se realizam. É isso que te corrói.
O acto de sonhar é intrínseco ao ser humano. Qualquer um de vós sonha com dinheiro, com posses, com empregos fantásticos. Outros há que sonham com pessoas.

Esses devem ser aqueles que mais sofrem por sonhar. Porque o sonho daqueles que sonham com a pessoa dos seus sonhos, são aqueles que menos têm ao alcance o propósito do seu desejo.
Sonham com a pessoa que lhes percorre os sonhos, imaginando que possam ser, igualmente, a pessoa dos sonhos do objecto da sua ânsia.



Imagina: naqueles dias de dolce far niente relaxas num sofá, ou na cama, ou quem sabe naquela rede que tens no terraço.
E nesses momentos colocas-te em “modo sonhador(a)” e refletes em como seria bom que fosses a pessoa da “tua” pessoa. No fundo da tua mente tudo faz sentido (ou melhor, faria), tudo tem um propósito, e todas as brigas, todas as provações começam a ter uma razão de ser.
Aquelas viagens, aqueles concertos e momentos que, na tua mente, só fazem sentido ser vividos com aquele alguém que te enchem a alma. Fazer o que sonhas com quem sonhas, com o ser que te preenche para todo o sempre é a imagem mais saudável que consegues experimentar.

E depois, acordas.
Depois olhas à tua volta e afinal estás no mesmo sítio.

Não, não estás de mão dada com a pessoa.
Não, não estás enroscado(a) com o teu sonho.
Não, não estás a conversar nem rir com o teu desejo.
Não, nada mudou desde há minutos atrás.

Ainda permaneces aí. Só. De olhos infinitos, quem sabe até molhados, acordando do sonho.
E quantos de vós passam uma vida inteira a sonhar com a pessoa dos vossos sonhos, sonhando ser a pessoa dos sonhos da pessoa?

Muitos

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