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terça-feira, 14 de abril de 2015

Manual de sobrevivência

A vida começa cada vez mais cedo, na cidade.
Esta obrigatoriedade de produzir para manter uma ligação laboral a todo o custo é uma realidade demasiado forte. Obrigam-nos a correr em desespero para não perder um falso norte monetário, e nada mais importa.
“Vivemos para o próximo ordenado! Não há mais nada!”. Ninguém ousa duvidar da veracidade do desabafo dele. Um homem de meia-idade, sentado à minha frente, no metro, conversa com outro homem a caminho sei lá de onde. No fundo, tornámo-nos carneiros, todos nós. Nascemos, crescemos, formatam-nos para sermos mais um no rebanho e assim andamos até à data da nossa morte.


São só sete e meia da manhã, e já a mais pura filosofia da mísera existência se propaga pelas carruagens apinhadas de gente infeliz.

Para onde foram os planos? Onde enfiámos nós a vontade de viver?
Limitamo-nos a sobreviver até que entre nova tranche para pagarmos a quem devemos, e assim passam os dias, as semanas, os meses, os anos.
Não somos pessoas; somos sobreviventes, e vamos morrer como apenas sobreviventes.

Inexistência de vida.
Plenitude de vazio.
Sejamos bem-vindos ao imperfeito novo mundo.

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