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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Facebook

Sabendo eu à partida que tu és um anormal, pouco ou nada me deveria importar com o que dizes ou fazes. Mas o meu ódio pela tua existência leva-me a ter uma mórbida necessidade de saber de ti.
Não me compreendo, mas é assim que as coisas são. Sei perfeitamente que deveria ocupar a minha mente com outras coisas mas tu insistes em invadir o meu espaço. Mesmo quando te estás a cagar para mim – como agora – insistes em fazê-lo inadvertidamente. E essa merda irrita-me bastante.

Chego a considerar-me patética só de me lembrar que existes. Eu expulsei-te da minha vida com toda a pompa e circunstância que a ocasião merecia (mandei-te para o caralho, se bem te lembras), numa das nossas conversas de facebook. Tu riste-te com aquele irritante “lol” de merda que só tu consegues inventar, e disseste “obrigado, linda”, ao que eu prontamente respondi da única maneira que uma mulher como eu conhece: fechei a porra da janela, e passei a esquecer-te.


Infelizmente, como sou uma estúpida quase tão anormal como tu, permaneci morbidamente curiosa com a tua vida, e volta-não-volta ia ver o que andavas a fazer para contribuir para a futilidade do mundo em que vivemos.
E continuei a chorar, a amaldiçoar-te constantemente, a implorar que a minha mente te bloqueasse. Para quê? Para nada! Permaneceste dentro de mim, sem te importares comigo. Um daqueles nojentos inquilinos que não pagam renda, nem atendem o telefone quando lhes queremos dizer que está na hora de se fazerem à estrada.

Passei assim 4 anos da minha vida.
Vivi na merda durante 4 longos anos.
Fui uma voyeur sadomasoquista que te amou, desejou, odiou, cuspiu e rogou mil pragas. Nunca consegui libertar-me de ti. Nem nunca irei conseguir. Não é suposto.

És uma marca inamovível na minha alma, e nunca deixarás de o ser. Preciso aceitar isso para te deixar para trás. Até que esse dia chegue vou lidando com o teu respirar da maneira que posso: pateticamente sofrida.

Odeio-te, com tanta força quanto ainda te amo.
E odeio-me por isso.


1 comentário:

  1. Descreveste tão bem e de forma simples o que quase todos já vivemos. Aqueles primeiros e fortes amores com paixão e doença à mistura. Ainda bem que se pode recomeçar, que se pode amar a nós próprios acima dessas crituras. Ainda bem que isso passa, que tudo passa. :) Well Done! :)
    Ana C.

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