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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Cegueira

Acordei cego.
É verdade, acredita em mim. Estou cego de sentir tanto a tua falta.

Sei-te longe de mim, de tudo o que antes conhecia como passado que me moldou até ao meu presente. Não existe luz aqui, só escuridão incandescente que me abafa todos os sentidos excepto o da saudade. Sinto-me tão ausente deste plano apenas porque optaram que por aqui não residirias mais.

Estou cansado. Estou ensanguentado de dores indescritíveis, cuja definição não encontrarás em nenhum dicionário. Sinto-te tanto a falta e nem consigo expressar-to em condições e agrido-me por isso.
Tomara que no plano em que te encontras consigas perceber o quanto me fazes falta.
Oxalá que nesse mundo estranho onde nada é físico, as dores que carrego te cheguem descritas de maneira que as percebas. Quem me dera que me conseguisses ouvir, mas mais suspiro que me pudesses falar.

Levaram-te, meu amor, roubaram-te de mim, de nós, de todos nós que te sentimos ainda hoje como peça integrante do nosso puzzle. E essa peça não tem substituição, não tem comparação, não tem preenchimento sem que voltes a respirar.

Quero vencer a morte, quero questionar os deuses, quero enfrentar todos os demónios se isso te trouxer de volta para mim! Preciso trazer-te de novo, anjo meu!

E Tu?! Sim, Tu!! Tu que tudo vês, que tudo podes acalmar! Tu, que olhas para nós com suposto olhar misericordioso, porque não me concedes o único desejo que carrego no coração que consegues ver?...
Fiz-Te mal, não foi? Mas diz-me que foi que te fiz! Eu corrijo! Eu penitencio-me até ao fim dos tempos, se te for aprazível. Eu faço! Seca-me as lágrimas e dá-me a minha mulher de volta! Salda as nossas contas…

Acordei cego.
Cego de saudade, de dor.
Inerte de movimento, ausente daqui.
Acordei cego de não te ver.
Acordei sem a única luz.

Acordei sem ti, acordei e, sem ti, mais valia não acordar mais.

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