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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Ama-me

Ama-me.

Se não sabes fazer outra coisa, ama-me.
Se me queres por perto, chama-me e eu estarei aí.
Se me desejas, diz e eu saciarei a tua fome.

Vive-me.

Se nada tem sabor, prova-me.
Se o vazio domina o teu dia e mata a tua noite, arrasta-me para dentro de ti.
Se não sabes existir sem o meu abraço, vive-me e eu abraço-te no meu manto.

Segue-me.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Sonhos

Sonhar faz bem, rezam as crónicas.

Confessa: tu amas sonhar.
O que te dói é que os teus sonhos raras vezes se realizam. É isso que te corrói.
O acto de sonhar é intrínseco ao ser humano. Qualquer um de vós sonha com dinheiro, com posses, com empregos fantásticos. Outros há que sonham com pessoas.

Esses devem ser aqueles que mais sofrem por sonhar. Porque o sonho daqueles que sonham com a pessoa dos seus sonhos, são aqueles que menos têm ao alcance o propósito do seu desejo.
Sonham com a pessoa que lhes percorre os sonhos, imaginando que possam ser, igualmente, a pessoa dos sonhos do objecto da sua ânsia.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Constatação

Falta-me inspiração.

Não é uma confissão, apenas uma constatação.
E acredita que é uma constatação que me custa constatar.
Admitir coisas que não me favorecem, nunca foi o meu forte. E isto sim é uma confissão.
É um exercício que me custa digerir, que me leva para caminhos que não considero serem os meus.

Não gosto de confessar nada.
Muito menos que não consegui fazer algo.
Falta-me inspiração, sabes?

E é uma constatação que acabei de constatar. Mesmo que não te interesse saber isso.
No teu lugar também não me interessaria.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O Tempo é Desleal

Perdeste o brilho no olhar, com a idade.

Estás cansado, e já não sabes escondê-lo. Provavelmente nem queres. É justo. Ao menos quando chegamos a velhos que possamos fazer o que nos apetece.
Sem regras, sem problemas.
Entretanto vivemos na obscuridade do que poderia ter sido, toda uma vida.

Ainda te lembras de quando eu andava de mão dada contigo, empoleirado no muro, com 5 anos, e dizia que era mais alto que tu?
E logo a seguir saltavas para cima desse muro, para me fazer companhia? Lembras-te?
Tenho medo que não te lembres. Era suposto nunca envelheceres, mas o tempo trocou-nos as voltas.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Cegueira

Acordei cego.
É verdade, acredita em mim. Estou cego de sentir tanto a tua falta.

Sei-te longe de mim, de tudo o que antes conhecia como passado que me moldou até ao meu presente. Não existe luz aqui, só escuridão incandescente que me abafa todos os sentidos excepto o da saudade. Sinto-me tão ausente deste plano apenas porque optaram que por aqui não residirias mais.

Estou cansado. Estou ensanguentado de dores indescritíveis, cuja definição não encontrarás em nenhum dicionário. Sinto-te tanto a falta e nem consigo expressar-to em condições e agrido-me por isso.
Tomara que no plano em que te encontras consigas perceber o quanto me fazes falta.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Saudades

Quando recomeças algo, sentes falta do que fizeste antes.
Se regressas ao que fizeste antes, sentes falta do que recomeçaste.

A mente humana é demasiado indecisa.
Tu também.

Manual de sobrevivência

A vida começa cada vez mais cedo, na cidade.
Esta obrigatoriedade de produzir para manter uma ligação laboral a todo o custo é uma realidade demasiado forte. Obrigam-nos a correr em desespero para não perder um falso norte monetário, e nada mais importa.
“Vivemos para o próximo ordenado! Não há mais nada!”. Ninguém ousa duvidar da veracidade do desabafo dele. Um homem de meia-idade, sentado à minha frente, no metro, conversa com outro homem a caminho sei lá de onde. No fundo, tornámo-nos carneiros, todos nós. Nascemos, crescemos, formatam-nos para sermos mais um no rebanho e assim andamos até à data da nossa morte.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Facebook

Sabendo eu à partida que tu és um anormal, pouco ou nada me deveria importar com o que dizes ou fazes. Mas o meu ódio pela tua existência leva-me a ter uma mórbida necessidade de saber de ti.
Não me compreendo, mas é assim que as coisas são. Sei perfeitamente que deveria ocupar a minha mente com outras coisas mas tu insistes em invadir o meu espaço. Mesmo quando te estás a cagar para mim – como agora – insistes em fazê-lo inadvertidamente. E essa merda irrita-me bastante.

Chego a considerar-me patética só de me lembrar que existes. Eu expulsei-te da minha vida com toda a pompa e circunstância que a ocasião merecia (mandei-te para o caralho, se bem te lembras), numa das nossas conversas de facebook. Tu riste-te com aquele irritante “lol” de merda que só tu consegues inventar, e disseste “obrigado, linda”, ao que eu prontamente respondi da única maneira que uma mulher como eu conhece: fechei a porra da janela, e passei a esquecer-te.