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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A Morte, essa puta

Regressa Novembro, e com ele todos os pesadelos da morte que te levou após fugazes semanas de luta inglória.  
Regressa a neve, a dor, a paisagem que tanto de belo e poético tem, como de doloroso, pesado para a memória.  
Dói sentir saudade desta. Corrói sonhar desta forma tão cruel e, ao mesmo tempo, tão ironicamente bela. Sonhar com pedaços de paraíso que já lá vai.
Dói-me, foda-se! 

Cobarde. 
Sou tão cobarde.  
Sou um merdas que se entrega a uma dor que não me deixa conseguir ainda voltar a tua casa. Não consigo enfrentar a tua partida, Mãe, não consigo vislumbrar os domingos sem ir passear de bicicleta contigo. Tenho pesadelos contigo, Mãe. São pesadelos porque sonhar seria trazer-te de volta a este plano que já não é o teu. E desisto. Entrego-me à saudade com que me deixaste, cruel presente sem sentido que é a tua ausência. 

Amava poder viver-te novamente, mas não consigo fazê-lo de outra forma que não seja sonhar-te, como sonho.  
O Diabo não consegue ser mais cruel que a Morte, porque o Diabo não tem capacidade de imaginar tamanha dor como esta que a sua bastarda me deu. A Morte, puta sem soldo, que se diverte a roubar de nós quem de nós faz parte. 

E sonho. Pesadelos sem sentido. São pesadelos porque revivo todos os momentos que por nós passaram. Todas as alegrias e dores. Todos os dias em que o entardecer ganhava asas e nos fazia relaxar, por momentos. Momentos em que nada mais importava senão a carregada paisagem de Novembro, que sempre amaste com tanta força. 

Sinto-te a falta, Mãe.
E odeio sentir o vazio que a bastarda me deu.


                                          Odeio-te, Morte. Odeio-te de morte. 

 

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