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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Venda


- Fecha os olhos. – segredou-lhe ao ouvido
- Está bem…
Ela confiou nele. Chegou o momento.

Atou a venda com a mesma suavidade que lhe toca nos cabelos, sempre que a beija.
Ela inspira profundamente quando ele ata aquele nó. Inclina a cabeça para trás no mesmo fôlego que abre a boca.
Os lábios dela estão rosados, ansiosos, algo assustados; para que ela se acalme, beija-os calma e profundamente.

- Não tenhas medo. – sussurrou-lhe.
- Está bem…
- Confia em mim. Eu cuido de ti, prometo…

Quase que ele sente ser a primeira vez que a vê assim. Despida de trapos, de vergonha, de convenções. Por isso ele demora todo o tempo do mundo a observar cada contorno do corpo dela. Perde-se uma e outra vez, e recomeça.

Apesar de se sentir maravilhado a observar, isso nunca lhe foi suficiente. Não com ela.
Precisa tocar. Beijar. Ouvir. Acariciar.
Ela contorce-se de uma maneira fantástica, aos olhos dele. Sente prazer, medo, desconhecimento. Prende-lhe as mãos na cama, com a outra faixa. E ela deixa.

- És louco!... Mas faz o que quiseres…
Não evita sorrir. Mesmo que ela não veja o que ele faz, é como se ela sentisse cada movimento dele porque lhe retribui o sorriso, enquanto morde o lábio.

Enquanto ele passeia as mãos pelo corpo dela, abraçando-a, beijando peito, a barriga, o umbigo, segura cada centímetro que acaba de beijar, cada recanto de pele que ela tenha.
A respiração torna-se sôfrega, como se todo aquele prazer já não coubesse dentro dela. Ela precisa deixar que saia de dentro de si, tanto quanto precisa de prazer novo entrar no seu santuário.

O gemido chega.
Os sons que saem da boca dela reagem às carícias dele.
Contorce o corpo cada vez mais, e cada vez mais ela precisa dele de outra maneira.
No meio do prazer, no meio do desejo, o pensamento dela é sempre o mesmo:
- Apeteces-me! Apeteces-me! Sempre!

E como se ele conseguisse ler o pensamento com a mesma clareza que lhe lê o corpo…

… ele faz-lhe a vontade...

                                                           …e satisfaz-lhe a vontade…



                                …por fim.



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