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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Dói

Dói-me.



Será que posso mexer-me? Não sei mais, porque me dói.
Afinal consigo mexer-me, consigo. Mas dói-me!

Sinto estas agulhas dentro de mim apontadas em todas as direcções. Perfuram-me em todos os cantos imagináveis.
São as minhas mãos que estão presas. São as minhas pernas que não se querem mover livremente, é o meu peito que mal pode abrir para deixar entrar o ar. É o meu pescoço que não roda no sentido que anseio.
Meu Deus, como me dói...

Aprisiono as minhas lágrimas e os meus gritos, não posso deixar que me vejam assim. O meu orgulho tolda-me o bom senso. Prefiro assim. Recuso dar parte fraca! Sou mais forte que isto... ou será que serei? Quanto mais serei capaz de suportar?

A minha alma perdeu capacidade de se abrir e deixar entrar o sol da esperança, da fé, da crença em dias melhores. Não consigo mais suportar uma existência de imobilidade...
Chegam dias em que preferia não estar aqui; mesmo que isso significasse perder as pessoas que amo. Preciso de paz, e ninguém ma consegue dar!

- Tu não sabes o quanto custa sentir isto!...
- Eu entendo. - diz-me
- Não, não entendes!! Sabes o que é quereres chegar ali e não poderes, quando ainda ontem o fazias apenas porque sim? Eu não consigo andar!
- Tem calma - diz-me, com os olhos molhados.
- Não posso ter calma... - enterrei a minha face nas minhas mãos - eu estou cansado de viver assim...
- Eu estou aqui. - e abraça-me.

Mas o abraço dela não abranda a minha revolta, a minha descrença.
Quero gritar, chorar livremente, mas não consigo. Embora apenas deixe que uma ínfima parte do meu sofrimento saia, já é demais.
Ninguém deveria conseguir ver-me sofrer assim, a ter pena de mim, a lamentar...

Mais que a dor é isso que

                                         me cansa!
                                         torna a luta tão dura!
                                         torna o sofrimento atroz!
                                         me faz chorar...

                                                               dói
              

                                                                              por fim, desisto... desisto porque me dói.

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