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sábado, 20 de dezembro de 2014

A espera finda

Não quero saber quem és tu, agora.
Suponho que deixei de ter tempo para te (re)descobrir. Desculpa, isto não me saiu bem; deixei de ter tempo para ti, ponto final.
Prometeste mundos e fundos, mas não os entregaste à minha posse. E deixei de ter tempo para ti. Para quem tu me dizes ser. Para quem tu me prometeste ser.

Cansei-me, no fundo. Fartei-me de esperar que me acarinhasses, de cada vez que entravas no meu espaço. Desisti de aguardar as migalhas de doçura que caíam da tua toalha, para que eu as apanhasse do chão, como se isso fosse tudo o que havia para receber.


Cansei-me, no fundo, de esperar que “resolvesses a tua vida”, coisa que preferi nunca perceber, de tão grotesca que era essa expressão. Sinceramente, acho que nunca devíamos obrigar ninguém a esperar por nada.
Não é justo, eu acho. Que direito temos nós de exigir aos outros que coloquem a sua vida em “pausa”, apenas para que possamos evitar problemas para nós, para depois sermos um problema para quem ansiosamente esperou? Pois. Não temos. E tu também não tinhas o direito de me fazer esperar, como se eu tivesse que esperar pelo próximo autocarro, pois tinha perdido o anterior?
Não tinhas, exacto. Não tens.
Cansei-me de ler as tuas frases-feitas para mim e todo o mundo, a chegar em catadupa, que prometiam que tudo ia ficar bem. Só precisavas de tempo. Apenas precisavas que eu esperasse o suficiente para que tu vivesses a tua vida até achares que já era suficiente, e depois aqui a cadela abanava com o rabinho para tu vires entregar os teus restos de afecto.

Cansei-me de ser o depósito dos teus restos de prazer. Mas eu perdoei sempre que te mantivesses um ser egoísta que me tratava como depósito da merda que depositavas.

Cansei-me de ser aquela que se mantinha de “perna aberta” à tua espera a acreditar naquilo que tu não tinhas coragem para assumir. Amavas-me, gritavas. Desejavas-me, escrevias. Eu era o teu mundo e nada mais importava. Dizias sempre as mesmas coisas, das mais variadas formas, e eu acreditei.

Até hoje.

Agora vai. Não voltes.
Não precisas de abdicar de nada, agora. Não é bom?
Nem tu precisas de abandonar nada, nem eu preciso de me manter parada. Não é um alívio?

Nada perdi, porque nada ganhei.
E nada é o que para mim representas.

Vai. Não voltes. Vai.

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