Translate

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Chove muito


Chove.
Hoje chove muito.

Complicam-se as sensações, e misturam-se as emoções e acabamos por nos deixar enveredar num novelo de confusão. Não nos entendemos, e quase não nos reconhecemos ao espelho quando nos confrontamos.
E quando, depois de pensar em tudo isto, não nos resta grande alternativa senão chover. E alguns de nós são autênticas máquinas de chuva.



Já reparaste como chove sempre mais aí dentro quando chove lá fora, de encontro à tua janela?

Por ano temos um período em que nos é permitido chover mais para acompanhar a intempérie que se sente na rua, quem sabe num estranho exercício de simbiose que não valorizamos porque preferimos ser solarengos que chuvosos e taciturnos.
E esse período é este. Ficamos mais sensíveis, questionamos mais, recordamos mais, sentimos em demasia, e acabamos num canto, escondidos do mundo, com medo de apanharmos porrada.

Porrada. Ainda te lembras do que é?
Ainda sabes o quanto te faz sangrar? E o quanto te faz chover?
Lembras-te? Estás a chover agora? Estás no meio do ringue de mãos atadas a receber golpe atrás de golpe?
Daqueles golpes que são em igual número que as lembranças que te levam a chover?
Ah, muito bem. Então sabes o que é a porrada, e demasiado bem.

Deixa lá. A chuva passa.
E a porrada.
E o medo.
Mas o importante é a chuva. A chuva seca.

Mas Chove.
Hoje chove muito.

Sem comentários:

Enviar um comentário