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domingo, 30 de novembro de 2014

Apeteces-me

Não sei como me deixei chegar a este ponto...

Não consigo entender esta minha necessidade de ti.
Esta sede incontrolável da tua essência! Esta saudade eternamente presente! Que saudade tão grande esta que em mim habita, que é tão grande quanto a ânsia de apenas te olhar.
Não consigo escolher de que forma te quero porque te quero de todas as maneiras possíveis, e isso tira-me a coerência...


Não consigo chamar-te "vício". É redutor, entendes?
Chamo-te de incontrolável vontade, que achas? Gostas desta minha definição de ti?
Ou talvez até te chame de "maravilhosa droga".
Sim, eu sei; as drogas são más, e tu também és, que julgas?! Tens tanto de bom, quanto de mau, confesso-te. Como se não soubesses...

Claro que sabes! A forma como me olhas, como te mexes, como me fazes mover... tudo confirma que o sabes!
Deitada na cama olhas-me com toda essa segurança. Cada movimento do teu perfeito corpo confirma-o,  Vives, respiras, amas sabendo perfeitamente que és um Anjo com alma de Diabo... és irresistível e sabe-lo. Odeio-te por isso!

Hum... mas é tão bom inebriar-me de ti!!
Com loucura, sem consequências, e sem censuras... Hum, como me sabes bem...

És simplesmente a droga perfeita... tão perfeita...

      Eu inspiro-te,
                                                    eu insisto que invadas todo o meu ser,
                                                               
                                                           eu sinto, impávido e sereno, enquanto incendeias o meu sangue,
                                                 como me secas a boca,
                   
                                                              como me roubas a vontade de existir

                                                              se existir significar não estar contigo.


Explica-me, por favor. De uma vez por todas explica-me!




Porque fazes tu isto?                                                            Porque te deixo eu fazer isto?!



                                       Simplesmente...



                                                        ... necessito-te!
                                ... desejo-te.
... apeteces-me...

apenas isso: apeteces-me... sempre.


....




quinta-feira, 27 de novembro de 2014

E fuma

Fuma. Sentada, fuma.
Alheia-se de tudo o resto e procura a paz no cigarro. Não consegue, mas é a busca que dá prazer, não o resultado.
Indiferente ao vento que rodopia à sua volta, emaranhada numa camisola de lã que se esconde debaixo da manta. E fuma.

sábado, 22 de novembro de 2014

Viagem

Já te pensei tanta vez que perdi a conta ao número de viagens que fiz até junto de ti.
E sempre que até aí viajo, a recepção é a mesma: porta fechada e um “encerrado para remodelação” que não desaparece.
A viagem de volta é feita de uma mesma forma, de todas as vezes. A sós, a pensar no que poderia ter sido a nossa conversa, a nossa troca de galhardetes sobre o nada que envolve os nossos tudos individuais.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Chove muito


Chove.
Hoje chove muito.

Complicam-se as sensações, e misturam-se as emoções e acabamos por nos deixar enveredar num novelo de confusão. Não nos entendemos, e quase não nos reconhecemos ao espelho quando nos confrontamos.
E quando, depois de pensar em tudo isto, não nos resta grande alternativa senão chover. E alguns de nós são autênticas máquinas de chuva.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Beija-me

- Beija-me.
- Não posso. – responde ela.
- Porquê? – segurou-lhe a cara com ambas as mãos, ao mesmo tempo que mergulhava no olhar assustado dela.
- Porque no momento em que te beijar, torno-me tua, e não mereço isso.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Embrulho

Pensa no quanto te doeu.
Pensa.
Imagina a imensidão de raiva que ali morou, naquele momento.
Imagina.
Mergulha na dúvida que te assaltou, e roubou o sono.
Mergulha.

sábado, 8 de novembro de 2014

Admirável Mundo Escrito nasceu...

Começar um blog é uma aventura que, confesso, não me é estranha.
Tempos houve em que passava muito tempo a viajar pelas páginas da blogosfera, ao mesmo tempo que mantinha um espaço reservado para mim, que um dia deixou de fazer sentido manter. 
Esse facto não me retirou vontade de escrever; antes pelo contrário.